segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

TERAPIA COMUNITARIA INTEGRATIVA E A FAMÍLIA NO CONTEXTO DO CAPS: investigando o sofrimento dos familiares



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Terapia comunitária integrativa e a família no contexto do Caps: investigando o sofrimento dos familiares


A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) é uma prática de intervenção grupal, aplicada por terapeutas comunitários em grupos em situação de vulnerabilidade. 

Resumo:

A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) é uma prática de intervenção grupal, aplicada por terapeutas comunitários em grupos em situação de vulnerabilidade. Os familiares do portador de transtorno mental estão em situação de precariedade em relação às estratégias de abordagens da equipe do CAPS por não serem o público alvo das ações. Objetivou-se identificar os sinais e sintomas de estresse, ansiedade e depressão entre os familiares participantes das rodas de terapia no CAPS e descrever estratégias diante os conflitos oriundos da relação com o parente doente mental. Este estudo compreensivo-interpretativo foi desenvolvido no CAPS Caminhar, João Pessoa. Selecionou-se 10 familiares, ambos os sexos, com idade superior a 21 anos, submetendo-os aos questionários "SRQ-20", "ISS" e a gravação do áudio das rodas. Constatou-se que para o familiar, a aceitação de sua condição e partilha das cargas facilita compreensão e criação de estratégias que permitem a diminuição considerável de stress, ansiedade e depressão.......
CONTINUE A LEITURA ACESSANDO O LINK:
http://www.psicopedagogia.com.br/index.php/1661-terapia-comunitaria-integrativa-e-a-familia-no-contexto-do-caps

Autores

Cláudia Quézia Amado Monteiro - Graduada em Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Mestranda do Programa de Pós-graduação em neurociência cognitiva e comportamento (PPGNeC/UFPB). claudiaquezia@hotmail.com Endereço do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/4878735900744341 Cidade Universitária Campus I Bairro: Castelo Branco Estado/País: Paraíba – Brasil 
Maria Oliveira Ferreira Filha - Drª em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professora associada da Universidade Federal da Paraíba, Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa Saúde Mental Comunitária - GEPSMEC, atuando na linha de pesquisa, políticas e praticas de saúde e enfermagem. mar filha@yahoo.com.br. Endereço do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/6656161364649924
Samilla Gonçalves de Moura - Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem pelo Programa de Pós Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba (PPGENF/UFPB)  samilla_1988@hotmail.com  Endereço do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/5607549770971094
Maria Djair Dias - Enfermeira. Doutora em Enfermagem pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo - SP. Docente Associada do Departamento de Enfermagem Saúde Pública, e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da UFPB E-mail para contato: mariadjair@yahoo.com.br. Endereço do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/8451343215996468 
Priscilla Maria de Castro Silva - Enfermeira. Doutoranda em Enfermagem pelo Programa de Pós - Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraiba (PPGENF/UFPB). Professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande (FCM/CG). E-mail para contato: priscillamcs@hotmail.com  Endereço do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/9658322208264133 
Eloise de Oliveira Lima - Graduada em Fisioterapia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), mestranda do Programa de Pós-graduação em neurociência cognitiva e comportamento (PPGNeC/UFPB). E-mail para contato: eloise_olima@hotmail.com  Endereço do currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/7801462590711658

domingo, 12 de fevereiro de 2017

TERAPIA COMUNITÁRIA e as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) desde abril 2016

ATENÇÃO - TERAPEUTAS COMUNITÁRIOS/AS Integrativos:
A PORTARIA MS 145/2017*, de 11/01/2017, publicada no DOU de 12/01/2017, incluiu novas PICS nos procedimentos reconhecidos pelo SUS, exigindo adaptação da Tabela de Procedimentos SUS.
Com isso, a *TCI* - incluída na Tabela em abril/2016, pela Portaria SAS nº 404, de 15 de abril de 2016 - tem novo Código de Procedimento SUS: *01.01.05.002-1*
Vejam a seguir a noticia do Portal DAB, do MS, e a Portaria completa.
 
 

Portaria amplia oferta de PICS

13/01/2017
 
Arteterapia, meditação, musicoterapia, tratamento naturopático, tratamento osteopático, tratamento quiroprático e Reiki passam a integrar a oferta de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). O Ministério da Saúde publicou hoje, no Diário Oficial da União, a Portaria nº145/2017 que amplia os procedimentos oferecidos pela Política no Sistema Único de Saúde (SUS).
Os procedimentos como terapia comunitária, dança circular/biodança, yoga, oficina de massagem/ automassagem, auriculoterapia, massoterapia, tratamento termal/crenoterápico já faziam parte dos serviços desde abril do ano passado. Por readequação da tabela, receberam novos códigos com o intuito de facilitar para os gestores a identificação dos procedimentos das práticas integrativas.
Todos esses procedimentos eram realizados por muitos municípios brasileiros, dados confirmados pelo Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade na Atenção Básica (PMAQ-AB).
Os recursos para as PICS integram o Piso da Atenção Básica (PAB) de cada município, podendo o gestor local aplicá-los de acordo com sua prioridade. Alguns tratamentos específicos da acupuntura recebem outro tipo de financiamento que compõe o bloco de média e alta complexidade. O Departamento de Atenção Básica (DAB) incentiva à adoção destas práticas a partir das características de cada região, preservando a autonomia dos entes federativos para incrementar as práticas integrativas oferecidas.
Em 2016, segundo os dados coletados a partir do sistema informatizado e-SUS e do Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC), foram registrados mais de dois milhões de atendimentos das PICs nas UBS. Mais de 770 mil foram de Medicina Tradicional Chinesa que inclui acupuntura,  85 mil foram de fitoterapia, 13 mil de homeopatia. Já mais de 926 mil atendimentos são de outras práticas integrativas que não possuíam código próprio para registro, que com a publicação da portaria nº145/2017 passam a ter.
Atualmente, 1.708 municípios oferecem práticas integrativas e complementares e a distribuição dos serviços está concentrada em 78% na atenção básica, principal porta de entrada do SUS, 18% na atenção especializada e 4% na atenção hospitalar. Mais de 7.700 estabelecimentos de saúde ofertam alguma prática integrativa e complementar, o que representa cerca de 28% das Unidades Básicas de Saúde (UBS). As PICs estão presentes em quase 30% dos municípios brasileiros, distribuídos pelos 27 estados e Distrito Federal e todas as capitais brasileiras.
Histórico
A PNPIC, criada em 2006, instituiu no Sistema Único de Saúde (SUS) abordagens de cuidado integral à população por meio de recursos terapêuticos, entre eles fitoterapia, acupuntura, homeopatia, medicina antroposófica e termalismo. Os serviços são oferecidos por iniciativa local, mas recebem financiamento do Ministério da Saúde por meio do PAB de cada município. Em 11 anos da implantação das Práticas Integrativas e Complementares (PICs), pode-se destacar o interesse crescente da população por uma forma de atenção humanizada e de cuidado singular, iniciando o desenho de uma nova cultura de saúde e a ampliação da oferta destas práticas na rede de saúde pública.
Desde a sua implantação, o acesso dos usuários do SUS a essas práticas integrativas tem crescido exponencialmente. A inserção das PICs na rede de atenção à saúde como ferramenta de cuidado tem por objetivo ampliar a abordagem clínica e as opções terapêuticas ofertadas aos usuários, podendo ser utilizadas como primeira opção de tratamento ou forma complementar, respeitando as particularidades de cada caso.
A procura pelas práticas integrativas tem aumentado devido ao maior reconhecimento da eficácia terapêutica pelas evidências científicas, e também pela efetividade pragmática verificável pelos beneficiados. Além disso, há crescente número de profissionais capacitados e habilitados e maior valorização dos conhecimentos tradicionais de onde se originam grande parte destas práticas. Esse movimento tem recebido apoio da Organização Mundial da Saúde que incentiva os países a inserir alternativas ao cuidado à saúde.
 
Conheça as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS)
Fitoterapia
A fitoterapia é um tratamento terapêutico caracterizado pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal. A fitoterapia constitui uma forma de terapia que vem crescendo notadamente neste começo do século XXI.
Acupuntura
A acupuntura é uma prática que compõe a Medicina Tradicional Chinesa. Criada há mais de dois milênios, é um dos tratamentos mais antigos do mundo. Diferentes abordagens para o diagnóstico, prevenção e tratamento de doenças são realizadas, entretanto o procedimento mais adotado no mundo atualmente é o estímulo da pele por agulhas metálicas muito finas e sólidas, manipuladas manualmente ou por meio de estímulos elétricos.
Homeopatia
Homeopatia é um sistema terapêutico que envolve o tratamento do indivíduo com substâncias altamente diluídas, principalmente na forma de comprimidos, com o objectivo de desencadear o sistema natural do corpo de cura. Com base em seus sintomas específicos, um homeopata irá coincidir com o medicamento mais adequado para cada paciente.
Medicina antroposófica
A Medicina antroposófica é um sistema terapêutico baseado na antroposofia que integra as teorias e práticas da medicina moderna com conceitos específicos antroposóficos. Utiliza, terapias físicas, arteterapia e aconselhamento, além de medicamentos antroposóficos e homeopáticos. A abordagem terapêutica tem o seu fundamento em um entendimento espiritual-científico do ser humano que considera bem-estar e doença como eventos ligados ao corpo humano, mente e espírito do indivíduo, realizando a abordagem holística ("salutogenesis") que enfoca os fatores que sustentam a saúde humana através do reforço da fisiologia do paciente e da individualidade, ao invés de apenas tratar os fatores que causam a doença. A autodeterminação, autonomia e dignidade dos doentes é um tema central; terapias são acreditadas para aumentar as capacidades de um paciente para curar.
Termalismo/crenoterapia
O termalismo é um método natural de tratamento que recorre às águas minerais e/ou termais para fazer as curas. A variedade de componentes químicos e propriedades físicas da água e o seu equilíbrio permite obter propriedades que ajudam a recuperação da saúde. O termalismo engloba também todo um conjunto de tratamentos à base de produtos naturais retirados da nascente, como vapores, gases e lamas.O recurso à água como agente terapêutico foi iniciado pelos povos que habitavam nas cavernas, depois de observarem o que faziam os animais feridos.
Arteterapia
Uma atividade milenar, a arteterapia é um procedimento terapêutico que funciona como um recurso que busca interligar os universos interno e externo de um indivíduo, por meio da sua simbologia. É uma arte livre, conectada a um processo terapêutico, transformando-se numa técnica especial, não meramente artística. É uma forma de usar a arte como uma forma de comunicação entre o profissional e um paciente, assim como um processo terapêutico individual ou de grupo  buscando uma produção artística a favor da saúde.
Meditação
A meditação é uma prática milenar descrita por diferentes culturas tradicionais. Tem como finalidade facilitar o processo de autoconhecimento, autocuidado e autotransformação e aprimorar as interrelações – pessoal, social, ambiental – incorporando à sua eficiência a promoção da saúde. Amplia a capacidade de observação, atenção, concentração e a regulação do corpo-mente-emoções.
Musicoterapia
Prática integrativa que utiliza a música e/ou seus elementos – som, ritmo, melodia e harmonia – num processo facilitador e promotor da comunicação, da relação, da aprendizagem, da mobilização, da expressão, da organização, entre outros objetivos terapêuticos relevantes, no sentido de atender necessidades físicas, emocionais, mentais, espirituais, sociais e cognitivas do indivíduo ou do grupo.
Tratamento naturopático
A Naturopatia é um sistema terapêutico que utiliza métodos e recursos naturais, para apoio e estímulo à capacidade intrínseca do corpo de recuperação da saúde.
Tratamento osteopático
A osteopatia é método diagnóstico e uma forma de tratamento manual das disfunções articulares e teciduais, muito utilizado em condições dolorosas da coluna cervical e dos membros superiores. Através de técnicas de manipulação, stretching, mobilização, tratamentos para a ATM, e mobilidade para vísceras, aos poucos vai melhorando a mecânica dessas articulações, órgãos e tecidos, fazendo com que os sintomas venham regredindo a medida do tempo.
Tratamento quiroprático
A Quiropraxia é uma prática que se dedica ao diagnóstico, tratamento e prevenção das disfunções mecânicas no sistema neuromusculoesquelético e os efeitos dessas disfunções na função normal do sistema nervoso e na saúde geral. O tratamento de quiropraxia é dividido basicamente em três etapas. A primeira visa eliminar ou reduzir os sintomas da subluxação (desalinhamento da coluna), a segunda a estabilização e por último a manutenção que progredir com o bem estar.
Reiki
O Reiki é a canalização da frequência energética por meio do toque ou aproximação das mãos e pelo olhar de um terapeuta habilitado no método, sobre o corpo do sujeito receptor. A terapêutica objetiva fortalecer os locais onde se encontram bloqueios – “nós energéticos” – eliminando as toxinas, equilibrando o pleno funcionamento celular, de forma a restabelecer o fluxo de energia vital – Ki. A prática do Reiki responde perfeitamente aos novos paradigmas de atenção em saúde, que incluem dimensões da consciência, do corpo e das emoções.
Terapia Comunitária
A Terapia Comunitária atua em espaço aberto à comunidade para construção de laços sociais, apoio emocional, troca de experiências e prevenção ao adoecimento. Ao produzir a diminuição do isolamento social e ao produzir uma matriz móvel permite um espaço de troca e apoio social o qual funciona como alicerce para a produção de redes sociais e a transformação microrregional. A técnica se divide em cinco passos semi-estruturados – acolhimento, escolha do tema, contextualização, problematização, rituais de agregação e conotação positiva – fáceis de aprender e de se difundir como instrumento de promoção da saúde e autonomia do cidadão.
Dança Circular/Biodança
Biodança é um sistema de integração e desenvolvimento humano, um sistema baseado em experiências do crescimento pessoal induzido pela música, movimento e emoção. Esta terapia utiliza exercícios e músicas organizados, a fim de aumentar a resistência ao estresse, promover a renovação orgânica e melhorar a comunicação. Sua metodologia é induzir experiências de integração por meio da música, do canto, do movimento criando situações que facilitam a reunião em nível de relacionamento interpessoal.
Dança Circular é uma prática de dança em roda, tradicional e contemporânea, originária de diferentes culturas que favorece a aprendizagem e a interconexão harmoniosa entre os participantes. As pessoas dançam juntas, em círculos e aos poucos começam a internalizar os movimentos, liberar a mente, o coração, o corpo e o espírito. Por meio do ritmo, da melodia e dos movimentos delicados e profundos os integrantes da roda são estimulados a respeitar, aceitar e honrar as diversidades.
Yoga
Trabalha o praticante em seus aspectos físico, mental, emocional, energético e espiritual visando à unificação do ser humano em Si e por si mesmo. Constitui-se de vários níveis, sendo o Hatha Yoga um ramo do Yoga que fortalece o corpo e a mente através de posturas psicofísicas (ásanas), técnicas de respiração (pranayamas), concentração e de relaxamento. Entre os principais benefícios podemos citar a redução do estresse, a regulação do sistema nervoso e respiratório, o equilíbrio do sono, o aumento da vitalidade psicofísica, o equilíbrio da produção hormonal, o fortalecimento do sistema imunológico, o aumento da capacidade de concentração e de criatividade e a promoção da reeducação mental com consequente melhoria dos quadros de humor, o que reverbera na qualidade de vida dos praticantes.
Oficina de Massagem/Automassagem
Diversas culturas utilizam as massagens no cuidado em saúde, a automassagem tem a finalidade de manter ou restabelecer a saúde, por meio da promoção do equilíbrio da circulação de sangue e de energia por todas as partes do corpo. É realizada pelo próprio sujeito, por meio de massagens de áreas e/ou pontos de acupuntura no seu corpo.
Auriculoterapia
A auriculoterapia é uma terapia que consiste na estimulação com agulhas, sementes de mostarda, objetos metálicos ou magnéticos em pontos específicos da orelha para aliviar dores ou tratar diversos problemas físicos ou psicológicos, como ansiedade, enxaqueca, obesidade ou contraturas. A auriculoterapia chinesa faz parte de um conjunto de técnicas terapêuticas, que tem como base os preceitos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC). Acredita-se que tenha sido desenvolvida juntamente com a acupuntura sistêmica (corpo), que é, atualmente, uma das terapias orientais mais populares em diversos países e tem sido amplamente utilizada na assistência à saúde.
Massoterapia
A massoterapia é um termo que engloba diversas técnicas terapêuticas, cujo objetivo é melhorar a saúde e prevenir alguns desequilíbrios corporais. Por meio do ato de tocar regiões do corpo de uma pessoa, realizando movimentos fortes ou sutis, é possível trabalhar os aspectos físicos e mentais de cada um. A prática, baseada em técnicas de massagens relaxantes, estéticas ou terapêuticas inspiradas no oriente e no ocidente, é reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Autor(es): Portal de Saúde - SUS
 

UM FILME PARA PENSAR A VIDA por MARIA EMÍLIA BOTTINI


UM FILME PARA PENSAR A VIDA

  Maria Emília Bottini[i]


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 O cinema é uma das grandes contribuições da arte e da ciência para a humanidade. É uma forma eloquente de contar histórias e resgatar a magia dos contadores que por vezes ainda adormecem em nós. O filme japonês A Partida (Okuribito, 2008) é um belo exemplo disso. É envolvente, mesmo que o tema seja tudo aquilo que não se deseja ouvir e muito menos se preparar. Morrer é fato inquestionável, mas constantemente negado. É uma experiência única, pessoal e intransferível. Passa-se a vida escondendo a doença, a decrepitude e a decadência, especialmente da vida das crianças. As religiões quase sempre tratam o assunto de uma forma muito reduzida, semeando ideias de medo e de castigo eterno. Morre-se um pouco a cada dia. Talvez seja sábia a máxima que afirma: deve-se viver cada dia como se fosse o derradeiro.

Em 2012 fui aprovada na seleção do doutorado em Educação na Universidade de Brasília (UnB). Durante três anos debrucei-me sobre três temáticas as quais sou apaixonada: o cinema, a morte e o filme A partida. A questão norteadora deste estudo foi compreender como o recurso cinematográfico pode ser utilizado para tratar da temática da morte tendo como instrumento pedagógico no filme A partida de Yôjirô Takita (2008).

O filme A partida narra alguns episódios da vida de Daigo Kobayashi, um violoncelista frustrado da orquestra de Tóquio. Quando a orquestra encerra suas atividades por falta de público, ele e sua esposa, Mika, retornam a sua cidade natal e passam a morar na casa deixada pela mãe, que morreu há dois anos. A cidade traz para Daigo lembranças amargas, especialmente, a dor pelo abandono do pai na infância, de quem nunca mais soube.

Encontra no jornal uma oferta de emprego em uma agência de viagens. Contudo, ele constata se tratar de serviço para “viagens derradeiras”. A contragosto, aceita o emprego ritualístico de “nokanshi”, um especialista em acondicionar e purificar os mortos para a derradeira viagem. Revela-se espantosamente apto nesta arte, expressando delicadeza e respeito admiráveis. Ele esconde isto de sua mulher, Mika, por crer que é um trabalho vergonhoso e pouco aceito socialmente. Ao negar o trabalho, nega também a dificuldade de aceitação da finitude da vida. O relacionamento mal resolvido com o pai ressurge de forma decisiva ao se defrontar cotidianamente com a morte.

O filme aborda a dicotomia da sociedade japonesa que se moderniza e se ocidentaliza ao mesmo tempo em que tenta manter alguns traços da sua própria cultura. Com o passar do tempo, Daigo busca compreender a morte para além do trabalho. Contudo, sua esposa descobre e o repele por considerar um trabalho indigno. A perda da esposa o reconduz à reconciliação com a música que aprendera por insistência do pai. Junto ao violoncelo, encontra uma pedra embrulhada (pedra-mensagem). Quando criança, o pai lhe contara que antes da invenção da escrita, os antigos procuravam uma pedra que expressasse seus sentimentos e a brindavam aos seus entes queridos.  Podiam, dessa forma, ler os sentimentos do outro pelo peso e textura.

A dificuldade estabelecida em vida com o pai só tem desfecho com sua morte, quando está acondicionando e purificando o corpo. Ao abrir a mão direita, encontra a pedra que ele havia dado ao pai quando criança. Compreende que ele estava em seu coração até o último momento. Era hora de perdoar as escolhas do pai perdoando-se, pois, o mistério da morte se vislumbra no coração da vida e ela é uma oportunidade aberta a todos para a necessária mudança cotidiana de rota, mesmo que seja a última da frágil condição humana.

A Partida é um fio condutor para a reflexão de um tema definitivo, mas não oferece receita pronta, cada um tem que caminhar o seu próprio caminho passo a passo, é um convite a repensar qual o sentido que damos aos parcos dias que vivemos.

Podemos educar para a morte e o morrer através do uso de filmes como proposta reflexiva, mas não sem entender que no cinema e na vida é difícil, mas ainda assim necessária.

A morte é experiência intransferível, única aos que vivem mesmo que dela nos afastemos e a neguemos até o dia em que com ela nos encontraremos e passaremos a não ter, não ser, não existir. É nossa única certeza, para mim justa e democrática pois não discrimina nem exclui ninguém, para nos lembrar que no final de toda a jornada da existência o que sobram são cinzas.

Gibran nos diz: “Quereis conhecer o segredo da morte, mas como podereis descobri-lo se não o procurardes no coração da vida?”. Viver é o melhor antídoto contra a morte, não viver é morrer em vida.



[i] Psicóloga clínica, Mestre em Educação pela Universidade de Passo Fundo (UPF), Doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB). Autora do livro: No cinema e na vida: a difícil arte de aprender a morrer. Acesse a página do livro: https://www.facebook.com/No-cinema-e-na-vida-a-dif%C3%ADcil-arte-de-aprender-a-morrer-896048947117180/?ref=bookmarks. E-mail: emilia.bottini@gmail.com.
 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

RODAS DE TERAPIA COMUNITÁRIA NO EIXÃO


 

 PROJETO - "RODAS NO EIXO" é um encontro de pessoas para  uma roda de conversa. O que não vira palavra, vira sintoma.
 
O Eixão vai se transformar numa grande roda de encontro.
 
- Local, horário, como chegar - EIXO SUL - próximo a 105 Sul (referencia Kombi do coco)

- O que é necessário para participar - trazer uma canga, toalha, esteira, banquinho para sentar, balões, garrafinha de água.  

A Roda no Eixos é um espaço seguro para partilhar nossas vivências.
 
Foi pensando nisso que o MISMECDF vem promover todo domingo do mês, encontros para partilhar histórias de vida em um lugar onde se respira saúde.
 
BEM VINDOS!!!


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

ARTIGO PARA LEITURA - A teia de Aranha - Rolando Lazarte

 

A teia de aranha

                                    
em 3