sábado, 6 de agosto de 2016

PROJETO CAPACITA TERAPEUTAS COMUNITÁRIOS PARA ATUAREM NAS PENITENCIÁRIAS

Inicialmente, o Além das Grades vai capacitar 30 terapeutas comunitários integrativos na Penitenciária Feminina de Teresina.

 Israell Rêgo    - 04/11/2015

NARCISO ( Foto: Ascom Sejus)
 A Secretaria da Justiça do Piauí, a Vara de Execução Penal e o Instituto Maria dos Prazeres assinaram, nesta quarta-feira (4), parceria para desenvolver o projeto Além das Grades na Penitenciária Feminina de Teresina.
O projeto tem como finalidade a formação de terapeutas comunitários integrativos, para promoverem atenção primária à saúde nas unidades. Inicialmente, o Além das Grades vai capacitar 30 terapeutas comunitários integrativos na unidade prisional.
“A terapia comunitária integrativa é um espaço de acolhimento para tratar do sofrimento das pessoas, por meio do diálogo e interação, como forma de promover a resiliência”, explica Narcizo Chagas, coordenador do projeto Além das Grades.
O curso terá carga horária de 240 horas/aula, sendo desenvolvido em cerca de seis meses. O Além das Grades conta com servidores da Secretaria da Justiça que trabalham na Penitenciária Feminina e voluntários de diversos grupos que atuam no sistema prisional

 
 
O secretário da Justiça, Daniel Oliveira, destaca que a iniciativa estimula a cooperação pela humanização do sistema. “O ambiente da Penitenciária Feminina é totalmente propício para o projeto, que reforça a cultura da paz e o enfrentamento à violência”, diz Oliveira.

Na visão do juiz José Vidal de Freitas, a Penitenciária Feminina de Teresina é modelo na gestão de programas voltados à humanização e ressocialização no Piauí e destaca que o Além das Grades agrega mais uma iniciativa nesse sentido.
Participaram do encontro o coordenador de Enfrentamento às Drogas do Piauí, Sâmio Falcão, representantes da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Piauí (OAB-PI), Fórum de Mulheres do Mercosul, Fazenda da Paz e Fundação Municipal de Saúde de Teresina
 
 

TERAPIA COMUNITÁRIA AGORA É PROCEDIMENTO NO SUS.

 
 
IMAGEM NET
 
 
UMA GRANDE CONQUISTA PARA AS PRÁTICAS INTEGRATIVAS E COMPLEMENTARES EM SAÚDE.
DAB - Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde

Ministério da Saúde avança no campo do monitoramento das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde

 
No ano em que a Política Nacional de PICS completa 10 anos, procedimentos específicos das Práticas são incluídos na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS. Entre eles, a Terapia Comunitária; Dança Circular/ Biodança; Ioga; Oficina de Massagem/Automassagem; Sessão de Auriculoterapia; Sessão de Massoterapia e Orientação de Tratamento Termal/Crenoterápico.
 
No ano em que a Política Nacional de PICS completa 10 anos, procedimentos específicos das Práticas são incluídos na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do SUS. Entre eles, a Terapia Comunitária; Dança Circular/ Biodança; Ioga; Oficina de Massagem/Automassagem; Sessão de Auriculoterapia; Sessão de Massoterapia e Orientação de Tratamento Termal/Crenoterápico.

A novidade atende à demanda constante dos municípios que realizam estas Práticas e acontece com a publicação da portaria SAS nº 404, de 15 de abril de 2016. Ela promove a inclusão dos procedimentos no Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA-SUS) e no Sistema de Informação da Atenção Básica (SISAB), com objetivo de monitorar a realização destas práticas no território e subsidiar a gestão do SUS.

Dados do PMAQ


Os dados do segundo ciclo do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ-AB) mostram que essas práticas já eram realizadas por diversas equipes de saúde da família em todo o país.

Neste contexto, a avaliação e monitoramento feitos no Sistema Único de Saúde se coloca como um importante passo para possível incorporação das mesmas na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde.

Abaixo, seguem os procedimentos e seus códigos específicos:

01.01.01.005-2 TERAPIA COMUNITÁRIA
01.01.01.006-0 DANÇA CIRCULAR/ BIODANÇA
01.01.01.007-9 YOGA
01.01.01.008-7 OFICINA DE MASSAGEM/ AUTOMASSAGEM
03.01.04.010-9 SESSÃO DE AURICULOTERAPIA
03.01.04.011-7 SESSÃO DE MASSOTERAPIA
03.01.04.012-5 ORIENTAÇÃO DE TRATAMENTOTERMAL/CRENOTERÁPICO

Leia a portaria.
 
 

A TERAPIA COMUNITARIA E SUA ORIGEM

 
  

A Terapia Comunitária e sua origem

Prática terapêutica 100% brasileira! Nasceu da tentativa de diálogo entre o conhecimento científico e a sabedoria popular (senso-comum). Inova ao buscar soluções para conflitos e sofrimentos humanos. Esta técnica pode ser utilizada nas comunidades de bairro, equipes de trabalho, empresas, escolas, dentre outros grupos.

 

RODA INAUGURAL - 03 DE JUNHO - TEATRO DULCINA


RODA INAUGURAL - 03 DE JUNHO   



O Movimento Integrado de Saúde Comunitária do DF (MISMEC-DF) em parceria com a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes iniciou hoje um projeto de rodas de Terapia Comunitária Integrativa regulares com os funcionários da Faculdade. Como diz Jorge Aragão "Celebrando a alegria de não estarmos sós". É a força que vem da coletividade, do caminhar juntos superando desafios e Celebrando as conquistas. Parabéns Regina, Nair, Marcelo, Marco Antônio Schmitt Hannes por capitanearem essa iniciativa. Foi um prazer estar nessa roda. Minha alegria foi ainda maior pela participação do meu filho amado Marcos Oliveira.


RODA 17 DE JUNHO

"A cada encontro da roda de conversa da TCI me sinto mais forte e preparado para vencer os desafios. Aprender a ouvir a si mesmo, poder falar sem sentir dor, e sobretudo perceber que crescemos junto com os outros e não sobre os outros." ( Marcelo Fernandes)

INICIO DO CURSO DE CAPACITAÇÃO EM TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA - XXII TURMA -2016


RODAS DE TERAPIA COMUNITÁRIA EM PARCERIA COM A CASA AZUL - PROGRAMA DE APOIO SÓCIO FAMILIAR


I Roda temática - Data: 18/03/2016

Local: Instituição Casa Azul – QN 315 conjunto F lotes ¼ Samambaia DF.

Tema sugerido: Habilidades Sociais e o Uso de Drogas
Objetivo:   Trabalhar o tema norteador da Instituição Liberdade um sonho possível!” dialogando a respeito da adolescência, identidade e o uso das drogas.
Público: Adolescentes na faixa etária de 14 a 17 anos, aproximadamente 50 por turno.
Horário: 9h – 11h e 14h – 16. 
AGRADECIMENTO às Terapeutas, Doralice Oliveira, Elisabeth Neves, Neusa Zimmermann  e Helenice Bastos
 
II Roda temática
 
 
 O Programa de Apoio Sócio Familiar Construindo Vidas, convida os terapeutas representado pela Presidente do Mismec-DF, a senhora Helenice Bastos para realizar duas rodas terapêuticas.
Desde de já agradecemos o empenho e a disponibilidade da equipe de terapeutas, na contribuição das atividades do “Programa Construindo Vidas”.               
 
Data: 18 de Junho Horário: 14:00 horas - Local: Salão Multiuso – Sede da Casa Azul
  

AGRADECIMENTO  à José Mário e Helenice Bastos
 
 

I FÓRUM DISTRITAL PARA GESTORES E PROFISSIONAIS DE COMUNIDADES TERAPÊUTICAS - APRESENTAÇÃO DA TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA - TCI

 I FÓRUM DISTRITAL PARA GESTORES E PROFISSIONAIS DE COMUNIDADES TERAPÊUTICAS, na Escola de Governo dia 06 de maio.
 
A equipe do Movimento Integrado de Saúde Comunitária o MISMECDF esteve presente para apresentar aos participantes de Comunidades Terapêuticas a metodologia da Terapia Comunitária como ferramenta de autoconhecimento  e transformação.
 
O MISMECDF foi convidado pelo Terapeuta Comunitário José Mário e Areolenes Curcino para participar do FÓRUM DISTRITAL PARA GESTORES E PROFISSIONAIS DE COMUNIDADES TERAPÊUTICAS, dia 06 de maio de 2016.
Nosso agradecimento à Equipe da SUBJUSPRED e, em especial ao CONEN DF, à Equipe, apoiadores e todos os demais que somaram na organização do evento. A equipe do MISMECDF Meneses Dos Santos Nair José Mário, Fatima Neri NeriHelenice Figueiredo Darley e Rosa da Casa de Reintegração Mar Vermelho apresentou a TCI realizando uma roda de TCI com a participação da platéia.
Sabemos o quanto a terapia tem que estar nesses espaços empoderando e fortalecendo os vínculos.
 

E FOI ASSIM .......ARRAIÁ COMUNITÁRIO DO MISMECDF

O Movimento Integrado de Saúde Comunitária - Mismecdf , realizou no dia 11 de junho, a partir das 18:30 horas, nossa festa Junina. O objetivo é possibilitar um momento de interação com os TERAPEUTAS Comunitários e amigos.
A festa contará com apresentação do músico Pedro Izidoro,  comidas típicas, rifa, ambientação e ainda, muita conversa e dança.
Todo o recurso advindo do evento será destinado às atividades do MISMECDF. O número de participantes será limitado. A comida e bebida é solidária.
 

 
 
 

OFICINA VIVENCIAL DE INTEGRAÇÃO - MISMECDF/NAI


OFICINA DO CUIDADO
 
ENCONTRO PROPOSTO JUNTO A NATUREZA ONDE USAMOS DE NOSSA CRIATIVIDADE PARA FORTALECER A RELAÇÃO COM O OUTRO.   
 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

TERAPIA COMUNITÁRIA: COMO TOCAR O CORAÇÃO DAS PESSOAS

 TERAPIA COMUNITÁRIA: COMO TOCAR O CORAÇÃO DAS PESSOAS

Psicóloga Mariza Bregola de Carvalho
 
Qual a diferença entre a Terapia Comunitária e uma roda de conversa? Qual a diferença entre a Terapia Comunitária e outros grupos de autoajuda?
Como percebemos que uma sessão foi de fato terapêutica? E como sabemos que a sessão foi mais "pedagógica " do que terapêutica?
Como uma sessão terapêutica afeta nossa motivação, nossa autoestima, nossa identidade como terapeutas?
Várias são as reflexões que estas perguntas suscitam. Entre tantas, querermos destacar um aspecto que consideramos essencial à Terapia Comunitária e também às outras formas de terapia.
Há uma diferença fundamental entre uma sessão de terapia que é terapêutica daquela que não o é: a sessão é terapêutica quando toca o coração das pessoas.
O protagonista sente-se compreendido, acolhido e aceito. Ele sabe que o terapeuta sintonizou com seu sofrimento, que o acolheu e compreendeu, que suas preocupações foram levadas a sério, que o grupo respeitou sua história e se conectou com ela. Este saber é um saber vivenciado na sessão, tanto pelo protagonista quanto pelos demais participantes e pelo próprio terapeuta. Há uma conexão de afetos e emoções que se tornam coletivos e que fazem parte dos sentimentos de todos os seres humanos. São sentimentos que denominamos "afetos primários", e que conectam as pessoas e as tornam por isto mesmo humanas.
São estes sentimentos que buscamos liberar e compreender nas sessões de Terapia Comunitária. Quando tocamos estes sentimentos, fazemos de nossas sessões verdadeiras trocas de apoio, afeto, validação. Se não conseguimos tocar os sentimentos, as sessões serão tecnicamente corretas, mas podem não ter significado duradouro para quem participa.
Os participantes também se sentem compreendidos e respeitados, pois encontram na compreensão do terapeuta a atitude de aceitação que os encoraja a, no futuro, apresentar seus problemas. Pela conexão que vivenciaram do terapeuta e do grupo com seu sentimento básico, reconhecem a importância de compartilhar e ter compaixão.
Quais são os afetos primários que os seres humanos vivenciam?
Amor, desamor, culpa, justiça, injustiça, ódio, indiferença, confiança, traição, inclusão, exclusão, rejeição, acolhimento, perda, são alguns destes sentimentos. Nossos afetos primários provêm basicamente de nossos desejos e nossos temores.
Queremos o amor, tememos o desamor. Tememos sentir culpa. Buscamos a justiça, rechaçamos a injustiça. Tememos o ódio e a indiferença. Queremos confiar, tememos ser traídos. Queremos pertencer, tememos ficar de fora. Queremos ser acolhidos, tememos ser rejeitados. Tememos perder...
Estes sentimentos são universais, e é em torno deles que se organizam os temas de nosso viver. Cada um de nós é afetado mais de perto por alguns destes sentimentos, e nossa vida tem em seu centro ações e histórias construídas a partir deles.
Vejamos a seguinte queixa:
"Meu pai morreu há 4 meses, e desde então estou muito mal. Venho resolvendo tudo o que ficou para ser resolvido. Eu tenho que trabalhar, mas tenho também que resolver os papéis da aposentadoria dele, os compromissos que ele tinha no serviço, tenho que ver a pensão da minha mãe, tenho que ajudar com dinheiro. Talvez minha mãe venha morar comigo, sou eu que tenho que pensar e resolver tudo. Estou cansada, não aguento mais."
O que esta pessoa está sentindo?
Sobrecarga... impotência... dificuldade de pedir ajuda... sentimento de que só ela é que pode resolver as coisas...que ninguém pode fazer algo por ela... Mas o que mais ela está sentindo? Qual é o sofrimento mais profundo neste momento em que ela está tão só e tão sobrecarregada? O que está por trás de tudo o que ela relatou, que a faz sentir-se tão desprotegida?
O sentimento mais fundamental que ela está vivendo neste momento é o sentimento de orfandade que o ser humano tem quando perde o pai, não importa em que idade. É o sentimento de nunca mais poder contar com a proteção do pai. A criança que vive dentro do adulto chora e lamenta a perda daquele que um dia foi sua proteção e ela teme enfrentar a vida sozinha.
Este sentimento, que identificamos como um dos afetos primários, é o que a pessoa está expressando com sua queixa de sobrecarga. Ela se queixa de sobrecarga, mas também se queixa da solidão em que se encontra. Ela se queixa de que tem que fazer tudo sozinha, mas também desabafa indiretamente que não tem mais quem olhe por ela.
O terapeuta, ao tocar as emoções, conduz a sessão para o mundo dos sentimentos. Em várias sessões, na fase da contextualização, alguns participantes fazem perguntas por curiosidade. O protagonista sente-se por vezes incompreendido e incomodado em ter sua história conduzida para o caminho da história do outro. É papel do terapeuta elaborar perguntas que direcionem a sessão para os sentimentos básicos, que fazem com que o participante se sinta compreendido e acolhido.
São estes afetos que procuramos conhecer e tocar na Terapia Comunitária, para que os participantes possam fazer contato com eles, emocionar-se e reorganizar suas vivências. Quando os participantes conectam-se pelos afetos primários, a sessão é vivida de modo inesquecível.
Lembrando do exemplo da mãe que traz a queixa de que quis organizar uma UTI para crianças, pois perdeu um filho por falta de UTI em sua cidade, e se queixa de que as pessoas não se mobilizam para participar, nos perguntamos quais são os sentimentos que ela vivencia e expressa através desta queixa?
Poderíamos pensar que ela expressa a injustiça social, que arrebatou seu filho de seus braços. E construiríamos um mote baseado em "quem já sofreu a injustiça social que ocasionou a perda de um ente querido"? E isto é verdadeiro.
Poderíamos pensar que ela se sente impotente diante de um sistema que não protegeu seu filho quando ele necessitou. E construiríamos um mote baseado em "quem já viveu o sentimento de impotência ao querer salvar a quem ama"? E isto também é verdadeiro.
Mas podemos pensar também que mais além está o pedido de consolo pela perda do filho que ela nunca poderá ver crescer. O pedido de que as pessoas a acolham, consolem, tragam alento à maior dor que uma mãe pode viver. E o mote poderia ser: " Quem já viveu a dor da perda de um ser amado, e se sentiu sozinho nesta dor?"
Ao atingir esta dor, tocamos um dos sentimentos mais profundos que vivemos diante da morte e de outras perdas: a solidão. Pois a dor muitas vezes afasta as pessoas. Muitas são as pessoas que temem falar da morte e diante da perda, não sabem o que dizer ou o que fazer. Querem ajudar, mas se sentem impotentes, temem entrar em contato com aquilo que um dia pode lhes acontecer também...Porém quem perde precisa de um ombro amigo para chorar e desabafar . Para saber que está acompanhado em sua dor. Para saber que haverá alguém que o fará levantar se cair. Que haverá alguém ali para ajudar a secar suas lágrimas.
Se tocarmos esta dor, todas as pessoas presentes na sessão serão mobilizadas, pois teremos atingido o afeto primário que sacode a todos os seres humanos diante de uma perda.
Entramos em contato com os afetos primários pela empatia e pela compaixão. Ao "sentirmos com" o outro, de forma solidária e receptiva, acolhemos o outro e o aceitamos como ele é, com aquilo que ele tem. Tocamos a alma do outro, pois nos abrimos para ela sem crítica ou censura. Pela empatia e pela compaixão, reconhecemos a fragilidade do outro sem considerá-lo fraco. Reconhecemos que o outro é humano e tem direito aos sentimentos que tem.
Quando tocamos os afetos primários construímos bons motes específicos, que tocam a alma, mobilizam emoção, e fazem com que as pessoas queiram trazer suas experiências e partilhar as soluções encontradas.
Para trazer à tona os afetos primários, precisamos fazer boas perguntas, que complementem as perguntas do grupo. Frequentemente o grupo faz perguntas que visam conhecer a história, o cotidiano, os fatos, datas, ocorrências, ou seja, perguntas que buscam os dados. Exemplos destas perguntas são:
"Quando seu pai morreu?"
"Quantos irmãos você tem?"
"Onde foi o acidente de seu pai?"
Com estas perguntas buscam-se os elementos que precisam ser colhidos para entendermos a história que a pessoa viveu.
Outra forma de colher dados é perguntar sobre o comportamento das pessoas. Exemplos destas perguntas são:
"O que você faz quando não está trabalhando?"
"Como sua mãe reagiu à morte de seu pai?"
"Por que seus irmãos não ajudam você?"
"Você pede ajuda para seus irmãos"?
Estas perguntas informam-nos sobre o contexto, a maneira da pessoa reagir, suas interações.
Uma terceira forma de perguntar refere-se aos sentimentos que devem ser mobilizados na sessão. Exemplos destas perguntas são:
"Como você se sente hoje com tanta coisa para fazer?"
"Como você se sentiria se seus irmãos pudessem partilhar com você este momento?"
"Quem poderia ajudar você na sua dor?"
"O que faria você se sentir melhor neste momento?"
"Quem faria você se sentir melhor"?
"Como você se sentiria se pudesse se abrir com alguém em casa"?
"O que aconteceria com sua mãe se você chorasse com ela?"
"Como seria sua vida se seu pai estivesse aqui"?
Estas perguntas dirigem-se aos sentimentos e tocam o coração das pessoas. Elas não se atêm apenas aos comportamentos, e aprofundam a nossa compreensão. Elas nos levam aos afetos primários, pois abordam os sentimentos que estão além daquilo que a pessoa disse. Quando permanecemos no plano do comportamento, a sessão corre o risco de ficar superficial e nós podemos não encontrar o mote específico para atingir o centro do problema.
O mote específico que toca o sentimento de vários participantes sai da generalidade. Permite incluir muitas pessoas que mesmo não tendo vivido a situação em si, já viveram o sentimento que ela evoca. Elas se identificam com aquela dor e a terapia se torna então comunitária, pois passa a incluir o sentimento de todas as pessoas, que de uma ou outra forma encontram eco nos sentimentos expressados e vivenciados pelo protagonista. Apesar de ser específico, o mote torna-se abrangente, pois contém o sentimento de várias pessoas. Por isto é importante reconhecer o afeto primário envolvido na situação problema. E a melhor forma de reconhecê-lo é perguntando mais sobre os sentimentos e menos sobre os comportamentos.
Os participantes tendem a buscar dados sobre o comportamento. O terapeuta irá buscar reflexões sobre o sentimento. Ambas as formas de perguntar complementam-se, pois compõem a história e incluem a emoção. O terapeuta pergunta-se: o que esta pessoa diz e o que ela quer dizer? O mote deve atingir aquilo que ela quer dizer e ainda não conseguiu traduzir para si mesma.
Assim como o mote deve atingir o afeto primário, a conotação positiva deve contê-lo, abrindo perspectivas para o participante. Se a pessoa expressa sua solidão, podemos conotar positivamente que ela, ao se abrir, já não está sozinha, pois " alegria dividida é alegria em dobro, e tristeza dividida é meia tristeza."
Já pudemos desta forma valorizar que ela tenha se aberto, pois desta forma ficará menos só. Basta isto. Quem perde uma pessoa querida precisa compartilhar esta dor. Quando falamos da dor, podemos suportá-la melhor. Às vezes só isto basta na sessão. A pessoa não quer conselhos, não quer que lhe digam "você está fazendo demais e não está deixando seus irmãos fazerem". Ela sabe que os irmãos não estão em condição de fazer muita coisa. Ela é capaz de continuar fazendo, só precisa que a ouçam, que validem sua emoção, sua solidão, e a reconheçam neste sofrimento.
Quando tocamos no tema da morte, uma forma de conotar positivamente a pessoa é trazer a coragem dela em enfrentar este tema, e a possibilidade que ela oferece ao grupo de " reavaliar e valorizar a vida, pois o morrer nos faz pensar sempre no viver."
Ao conotar deste modo, damos um sentido àquela perda, e podemos falar da morte sem que as pessoas saiam desesperançadas. A conotação positiva toca também o afeto primário, e busca sua resolução. Quem sofreu injustiça pode ter validado o seu " esforço em lutar pela igualdade entre as pessoas ." Quem sofre rejeição, pode ser validado por estar " lutando para se incluir, valorizando-se para pertencer ." No caso da mãe que perdeu seu filho , conotamos sua disposição em ajudar outras mães, para que elas possam contar com mais ajuda do que ela contou. Que ela tem o dom de transformar o sofrimento dela em fonte de vida: da morte ela traz ao outro a possibilidade de viver. Que cada um de nós faz a sua parte, e ela está fazendo a dela. E que o ombro de todos os presentes está ali para ela contar e partilhar a saudade do filho querido.
A Terapia Comunitária, ao tocar o coração das pessoas, possibilita extrair do sofrimento e das situações difíceis, o crescimento, o aprendizado, o fortalecimento, a oportunidade de se sair melhor, de beneficiar aos outros com a aprendizagem de cada um. Ela fortalece a resiliência, e auxilia as pessoas a elaborarem seus afetos primários, tocando-os e acolhendo-os, validando cada ser humano em sua individualidade e em sua capacidade de sair mais forte perante os desafios da vida. Ganham todos, participantes e terapeutas, que mobilizam suas emoções e se potencializam na arte de viver.
 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

CONVITE - RODA DE TCI - PARCERIA SEJUS/MISMECDF

CONVIDAMOS A TODOS A PARTICIPAREM DA RODA DE TERAPIA COMUNITÁRIA INTEGRATIVA QUE IRÁ ACONTECER NO DIA 14 DE JULHO PELO PROJETO "AME,MAS NÃO SOFRA" - UMA PARCERIA ENTRE SEJUS E MISMECDF.


terça-feira, 21 de junho de 2016

Intercambio de experiencias, el principio del cambio

                       Intercambio de experiencias, el principio del cambio

Replanteo

Para el psiquiatra brasileño Adalberto de Paula Barreto, el modelo de poder en manos de una persona debe dar paso a otro horizontal y de corresponsabilidad. El trabajo grupal como camino. Su trabajo psicosocial en barrios carenciados.
“Es necesario romper con el modelo que concentra la información y el poder en las manos de una sola persona, para pasar a un modelo que valorice las muchas posibilidades del grupo humano”, explica el doctor brasileño Adalberto de Paula Barreto, autor de la Terapia Integrativa Comunitaria, durante el seminario realizado hace unos días en el Centro Vasco Laurak Bat, de Buenos Aires.
“Las soluciones ya no pueden ser obra de una sola persona, ya sea esta un líder político, religioso o científico. Porque al depositar su confianza en un especialista salvador de la humanidad, el pueblo se transforma en su rehén y puede ser víctima de manipulaciones”, continua.
Paula Barreto es doctor en Psiquiatría por la Universidad René Descartes de París; doctor en Antropología por la Universidad de Lyon, Francia; licenciado en Filosofía y Teología por la Universidad Santo Tomás de Aquino, de Roma, y por la Facultad Católica de Teología de Lyon. Además, terapeuta familiar, profesor de graduados y posgraduados de la Universidad Federal de Caera, Fortaleza, Brasil.
Llegó a Buenos Aires especialmente invitado por Funda CES (Fundación Centro de Estudios Sistémicos), que conduce la terapeuta Adela García. El título del seminario: “Cuando la boca calla, los órganos hablan. Cuando la boca habla, el cuerpo sana”.
La idea del autor es que, así como la comunidad tiene problemas, también cuenta en su interior con las soluciones para esos problemas. La Terapia Integrativa surge de su trabajo psicosocial en barrios carenciados en la ciudad de Canindé, Estado de Ceará. “La Terapia Integrativa permite la reducción del estrés, las dependencias, los conflictos familiares, la violencia y el fortalecimiento de los vínculos sociales. Consiste en ruedas, encuentros comunitarios donde las personas buscan soluciones hablando de sus sufrimientos, sus angustias y preocupaciones, pero también sus alegrías y logros. Se realizan con la presencia de un terapeuta y un co-terapeuta, que siguen algunas reglas de la dinámica grupal: hacer silencio, no dar consejos, escuchar a los demás, etc.”.
El terapeuta sostiene que los grandes cambios en la vida son fruto de un inmenso amor o un terrible dolor, y la idea es valorizar en estos grupos la experiencia de sus integrantes. Demostrar que cualquiera, independientemente de su condición socioeconómica y cultural, tiene un saber que es útil para los demás.
¿Cómo es una sesión de terapia integrativa?
Funciona con reglas precisas, partiendo de una situación o problema que trae uno de los participantes y que es elegida entre otras propuestas por los integrantes de la sesión de terapia. Entonces, el grupo va creando estrategias para superar el problema a partir de sus propias experiencias vividas, en un clima de tolerancia, libertad y respecto. La Terapia Integrativa Comunitaria se construye sobre cinco ejes teóricos: el Pensamiento Sistémico; la Teoría de la Comunicación; la Antropología Cultural y Social; la Pedagogía de Paulo Freire y la Teoría de la Resiliencia, que es  una combinación de factores que permiten a un ser humano afrontar y superar los problemas y adversidades de la vida y construir sobre ellos”.
¿Qué significa el nombre?
La palabra terapia, del griego terapeía, significa acoger, ser caluroso, cuidar, servir. Comunitaria apunta a las personas que tienen algo en común, la común unidad que los acoge. Es sistémica porque considera que las dificultades están relacionadas con el contexto y las interacciones sociales del grupo. Los individuos crean una red capaz de autoregularse, y desarrollar protagonismo y crecimiento.
¿Y por qué integrativa?
Porque se refiere tanto a la lucha contra el aislamiento y la exclusión, como a la valorización de la diversidad de las culturas, del saber hacer y de las habilidades. La cultura es vista como un recurso que nos permite sumar y multiplicar nuestro potencial de crecimiento y nuestras capacidades para resolver nuestros problemas sociales.
¿Cómo actúan el terapeuta y el coterapeuta?
Ayudando a construir un nuevo paradigma, un cambio de mirada que nos lleva a ir más allá del individuo para interesarnos por lo colectivo, por lo público. Ver más allá de las carencias y deficiencias, para apoyarse en las competencias adquiridas por la experiencia de vida y hacer brotar el potencial del que sufre. Salir de un modelo que genera dependencia para ir hacia un modelo que alimenta la autonomía y la corresponsabilidad. Salir de la verticalidad de las relaciones y buscar una horizontalidad cooperadora y solidaria. Abandonar una actitud de desconfianza para con el otro y creer más en su capacidad. Pasar de que la solución siempre viene de otra parte a que la solución se encuentra en la persona, en la familia, en la comunidad. Romper un  modelo clientelista y promover una conciencia crítica y ciudadana.
¿Una recomendación final?
Todos son invitados a hacerse corresponsables en la búsqueda de soluciones y en la superación de los desafíos cotidianos, saliendo de la posición de víctimas. La terapia integrativa es un espacio de palabra, de escucha y de vínculo, estructurado por reglas precisas, que permiten, a partir de una situación-problema, hacer surgir estrategias para superar las inquietudes cotidianas”, concluye Paula Barreto.